Áudios
Faixas
Disco Quilombo com participação do Jongo Basam –
primeiro disco de Jongo gravado por Mestre Darcy em 1973 a convite de Candeira pelo selo Tapecar. Lado A Jongo da Serrinha Lado B outro grupo de capoeira. Jongo Basam foi o primeiro nome do grupo artístico criado por Darcy para difundir o jongo e “Basam” um anagrama da palavra Samba. O jongo como origem do samba (texto Marcos André).
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EM BREVE
Letras
CAXAMBÚ DE PORCIÚNCULA (GRUPO MICHEL TANNUS)/RJ
Eu bebi paraíba até no meio, até no meio
Eu bebi Paraíba até no meio, até no meio
Quando o galo canta, as almas chegam para a Ave Maria
Ave Maria, cheia de graça, o senhor é convosco
Bendita sois vós entre as mulheres
Bendito é o fruto do vosso ventre, nosso Jesus
CAXAMBÚ DE SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA/RJ
Lambari ta pelejando
pra subir na cachoeira
Vai em cima e volta em baixo
sobe de qualquer maneira
Toco preto na divisa
terreno de quem é?
JONGO DE BARRA DO PIRAÍ/RJ
Bate tambor grande, repinica candongueiro
Vamos bater palma, vamos saravá jongueiro
Benedito me chamou, me chamou para rezar
Vou rezar uma Ave Maria pro povo desse lugar
Chama sinhá, candongueiro, chama sinhá
Chama sinhá, candongueiro, chama sinhá
Pode me chamar que eu vou
O jongo bom é no Médio Paraíba, oh gente
O jongo bom é no Médio Paraíba, oh gente
Jongueiro corta cana, colhe café e lambica pinga
Jongo de Barra e Pinheiral
Jongo de Barra e Pinheiral
Tem Jongo em Valença, Vassouras e Arrozal
Tem jongo em Valença, Vassouras e Arrozal
Ô, tava perdido, andando por aí
Me achei no caxambú de Barra do Piraí
LaiêLaiá
Ô laiêlalaiêlalaiá
Eu cheguei na angoma
Pra louvar e dei um grito
Vou beijar a Santo Antônio
E abraçar São Benedito
JONGO DE CAMPINAS (COMUNIDADE DITO RIBEIRO)/SP
Na minha casa tem formiga, formigueiro
Quando vê tamanduá, sai correndo do terreiro
Macaco pulou do galho, eu também quero pular
Tatú tácavucando, quero ver tamanduá
Olha aqui povo, gente de fora, o que eu vou falar pra tu
Nessa roda tem muito jongo, mas também tem três tambú
JONGO DE CAMPOS/RJ
Cheguei aqui pra te ver
Vim saber da sua saúde
O cavalo empacou na ladeira
Eu cheguei agora porque pude
O tambor zoa, o tambor zoa
O tambor tá danado pra zoar
De dia Naná em casa
De noite Naná não ta
Dona Maria, fala cum Naná pra vim pra cá
Ô mamãe eu vim da lagoa
Ô mamãe eu vim da lagoa
Vamos saravá gente boa
JONGO DE PINHEIRAL/RJ
Minha raiz é negra, veio de Angola distante,
As margens do Paraíba, em Pinheiral
Meu Caxambu responde
Meu avô me ensinou a tocar tambu
Meu avô me ensinou a respeitar os Cumbas
Foi ele quem me disse pra não tomar banho de rio
Que água do Rio tá afunda
Meu avô me aconselhou
A tomar banho na beiradinha
No Rio Paraíba
Vai toma banho na beiradinha, toma banho na beiradinha
Vai toma banho na beiradinha, toma banho na beiradinha
Eu vim aqui pra saravá
Eu vim aqui pra saravá
Saravá, jongueiro velho
Eu matei meu boi laranja
Reparti com a freguesia
Quando foi segunda-feira, meu mano
Meu boi laranja tava na guia
Minha gente eu vou m´imbora
O que me dão para levar
Eu levo saudades suas
No caminho eu vou chorar
Morena quem te contou que essa noite serenou
Ah eu deitado no seu colo, morena
Sereno não me molhou
Não lava roupa com meu nome
Não lava roupa com meu nome, meu nome não é sabão
Não lava roupa com meu nome
No limpo, limpo o meu carro tombou
Na mata virgem o meu carro carreou
Pai Divino Espírito Santo, primeiro que sai na guia
Eu vim saravá terreiro com Deus e a Virgem Maria
Por isso mesmo que não vou na Santa Fé
A mulher matou marido
Matou o marido com uma xícara de café
Vamos saravá terra que eu piso
Vamos saravá terra que eu piso
Sereno cai, cai sereno
Sereno cai, cai sereno
Sereno da madrugada, cai sereno
Vou caminhando devagar, sou um preto velho cansado
Vou caminhando devagar, eu não posso andar correndo
JONGO DE PIQUETE/RJ
Tava durmindo, angoma me chamou
Disse levanta povo, cativeiro já acabou
Glorioso Santo Antônio, vamos todos festejar
Hoje aqui chegamos, nos seus pés beijar
Nos seus pés está Nossa Senhora das Dores
Cercada de anjo, coroada de flor,
Coroada de flor, coroada de flor
Cercada de anjo, coroada de flor.
JONGO DE TAMANDARÉ/GUARATINGUETÁ, SP
Eparreia, Eparreia
Lalaêê, lalaêê
Quando eu saí lá de casa pedi licença pra dindar
Cheguei aqui na festa peço licença pra entrar
Eparreia, Peço pra me ajudar
Em nome de Pai Oxalá êê
Em nome de Pai Oxalá
Eu plantei café de meia
Foi nascer canaviá
Café de meia não se dá, sinhá moça
Deixa ingoma melhorá
Deixa ingoma melhorá
Deixa ingoma melhorá
Meu Deus do céu
Deixa ingoma melhorá
Deixa ingoma melhorá
Deixa a ingoma melhorá
Joguei meu chapéu pra cima
Meu chapéu parou no ar
Chamei por Nossa Senhora
Meu chapéu tornou volta
Oi, Saravá jongueiro velho
Que veio pra ensinar
Que deus dê a proteção
Pra jongueiro novo
Pro jongo não se acabar
Pro jongo não se acabar
Pro jongo não se acabar
Ô Mãe África
Vem lembrar teu cativeiro
Ai como chora meu tambu, ai meu tambu
Como chora candongueiro, ai candongueiro
De tanto soluçar, soluçar, soluçar
Vai molhar o meu terreiro
JONGO DO MORRO DA SERRINHA (JONGO DA SERRINHA)/RJ
Eu chorei, eu chorava
Era minha mãe que me acalentava
Bem pequenininho, mamãe me embalava
Por isso que eu chorei, por isso que eu chorava
Ia para a rua, na rua eu brigava
era minha mãe que me consolava
Meu pai me batia, ai, como apanhava
Era minha mãe que desapartava
E a professora quando me reprovava
Era minha mãe que me incentivava
Vou caminhar que o mundo gira
Vamos falar de Sá Maria
Vamos falar com singeleza, sim
Sá Maria na beira do fogão
Cantava caxambu relembrando o seu torrão
Mas ela chorava pra voltar
Estava sentindo saudades do seu lugar
Recordava do candongueiro
Batido com maestria por Pai João
A só… que nesse tempo era moço
E o som vibrava, em seu coração
Com o negro João tirando som do candongueiro
Dentro do terreiro
Com a sua simpatia, fazendo vibrar
O coração de Sá Maria
Vapor berrou na Paraíba
Ô Guiomar, ô Guiomar
O jongo não é de ” buia” Guiomar
Segura a toada pra durar
O nosso jongo tem harmonia
Na Balaiada em casa de Vó Maria
O caxambu toca até o raiar do dia
Eu danço jongo umbigando com Sá Maria
Na beira do poço, onde mora Guiomar
Mamãe sereia mora no fundo do mar
Segura nosso jongo Guiomar
Não deixa o nosso jongo se afundar
Segura angoma olha a toada
Bate “paó” rapaziada
Eu improviso o jongo meu camarada
Meu caxambu toca até de madrugada
Fui lá no Jequitibá, mãezinha
Fui buscar o meu axé
Encontrei minha raiz, mãezinha
Renovei a minha fé
De Valença pra Serrinha, mãezinha
Vó Teresa ouvi cantar
E nas águas desse Rio Paraíba meu tambor vai ecoar
Zeferina, tá lá no jequitibá
Tio Mané, tá lá no jequitibá
Terezinha, tá lá no jequitibá
Seu Toninho, tá lá no jequitibá
Seu Domingos, tá lá no jequitibá
Zé Cabiúna, tá lá no jequitibá
Seu Cheiroso, tá lá no jequitibá
Tia Dulce, tá lá no jequitibá
Darcy do Jongo, tá lá no jequitibá
Vó Maria, tá lá no jequitibá
Mestre Fuleiro, tá lá no jequitibá
Vó Teresa, tá lá no jequitibá
Tia Eva, tá lá no jequitibá
Dona Eulália, tá lá no jequitibá
Mestre Darcy, tá lá no jequitibá
Zeferina, tá lá no jequitibá
Pisei na pedra
A pedra balanceou
Levanta meu povo
Cativeiro se acabou
Diz ôôô
Bem dito louvado seja ( é o rosário de maria)
louvado seja ( é o rosário de maria)
Jongueiro bem dito louvado seja( é o rosário de maria)
louvado seja ( é o rosário de maria)
Bem dito pra Sto Antonio
Bem dito pra São João
Senhora Sant’anna
Sarava meu zirimao
Sarava ongoma quita
Sarava meu candongueiro
Abre Caxambu
Sarava Jongueiro
No dia 13 de maio
Cativeiro acabou
E os escravos gritavam
Liberdade Senhor
Vapor berrou na Paraíba
Chora eu, chora eu Vovó
Fumaça dele na Madureira
E chora eu
O vapor berrou piuí, piuí
Ô irê, irê, irê
Ô irê, irê, irê
Quando eu entro num jongo e começo a cantar
Segura Iôiô e Iáiá
Logo da minha vozinha começo a lembrar
Segura Iáiá
Toca minha gente esse jongo que eu quero escutar
Segura Iôiô e Iáiá
Nesse baçanço gostoso eu vou me acabar
O vapor berrou piuí, piuí
JONGO DO QUILOMBO SÃO JOSÉ/RJ
Adeus cangoma adeus
Adeus que eu já vou embora
Eu vou meu cangoma fica
Aqui e até outra hora
Viva a Mãe Zeferina!
Viva São Benedito!
Viva Nossa Senhora Aparecida!
Viva São José!
Viva os Pretos-velhos!
Viva Nossa Senhora do Rosário!
Viva a comunidade!
* Cangoma = tambor ou festa de tambor
* Música de despedida
Beira-mar auê Beira-mar
Auê Beira-mar, o dia évem
Auê Beira-mar, Beira-mar
* Jongo para saudar a chegada do dia, momento em que a roda de jongo termina
Bombeiro da bomba
Bombeiro da bomba
Me dá um pouco d’água
Que a sede me tomba
Carrero Mestre
Qual o nome do seu boi?
Meu boi chama saudade
Do amor que já se foi
Tinha fogão de lenha, terreirão de chão batido
Casinha de pau a pique, telhado de sapê
Tio Mané morava na casinha de pau a pique, telhado de sapê
Nego veio morava na casinha de pau a pique, telhado de sapê
De que vale um pingo d’água no meio d’água corrente?
De que vale amor bonito longe da vista da gente?
Deixa a moreninha passear
Deixa a moreninha passear
O terreiro é grande
Dia 27 de setembro é o dia de São Cosme e Damião
Todas as crianças vêm brincando querendo doce cocada e guaraná
Ele foi doutor, ele foi doutor
Ele me curou
Com a brincadeira que ele brincou ele me curou
O terreiro em festa. Eu me lembro bem
Vieram de um a um. Mas era Cosme Damião e Doum
* Ponto de Umbanda
Embaúba* é coronel
Pra que tanto pau no mato?
* Embaúba é um tipo de árvore oca por dentro e que não serve para nada
Ah eu fui na mata buscar a lenha
Eu passei na cachoeira molhei a mão
Senhor da Pedreira
Benza essa fogueira
Além da fogueira
Ajudai todos os irmãos
* Jongo em homenagem à Xangô
Eu vim da Barra
Embarcado no vapor
Perguntei meu candongueiro:
Como vai como passou?
Fala barril*
Também fala barreado*
Repinica candongueiro
Tocando no pau furado
* Barril e barreado = apelidos para os tambores de jongo
* Pau furado = tambor de jongo feito de um tronco único escavado
Galinha assanha não mexe com pinto
Galinha assanha ê
Minha mãe é uma sereia
Mora no fundo do mar
Eu também sou filha dela, meu Deus do céu
Moro no mesmo lugar
Nasci n’Angola
Angola que me criou
Eu sou neto de Moçambique
Eu sou negro sim sinhô
No dia 13 de maio é um dia muito bonito
Todos os “preto” se reúne pra saravá São Benedito
O nego que está fazendo na fazenda do sinhô?
Sinhôzinho mandou embora
Porque que que nego voltou?
Se meu pai é Ogum
Vencedor de demanda
Ele chega no reino pra salvar filhos de Umbanda
Ogum, Ogum lara
Salve o povo de batalha
Salve a sereia do mar
Ogum lara
Saravá Ogum, Ogum lara
* Ponto de Umbanda
Pinto piou
Cantou fora de hora
Pra quem mora perto é cedo
Pra quem mora longe é hora
* Jongo de despedida
Pisei na pedra lisa Trupiquei* na capituba*
Quando o machado não corta
Cacumbu* também derruba
* Trupiquei = tropecei
* Capituba = tipo de capim
* Cacumbu = enxada gasta
Plantei arroz sereia comeu
Plantei feijão sereia comeu
Vou subir no céu vou pegar com Deus
Eu já plantei café de meia*
Eu já plantei canavia
Café de meia não dá lucro
Canaviá cachaça dá
* Café de meia = quando o colono planta café na terra do patrão e como pagamento metade da produção é dada para ele
Quando eu morrer não precisa me enterrar
Me joga na Paraíba deixa as águas me levá
A carne os peixes come
Os ossos deixa afundar
* Paraíba = Rio Paraíba que corta o Vale do Paraíba, região das fazendas de café
Saravá São Benedito, Nossa Senhora do Rosário aê
Se eu soubesse que cê vinha eu mandava te esperar
Mandava amarrar canoa no laço verde do mar
Sete cascos de cavalo
Sete unhas de tatu
Vou mandar buscar meu burro com nome de urutu*
* Urutu = cobra venenosa
Eu pedi pra Tia Maria pra coser meu paletó
A agulha é de bambu
E a linha de cipó
Viemos de longe, chegamos aqui
Em homenagem à Clementina, saravá Zumbi
Ora viva que viva que torne a viver
Quem gostou da festa que torne a fazer
* Música de despedida














